Skip to content

António Carapau ou a estória do nosso primeiro encontro

03/04/2014

Era um domingo de Janeiro. Estava um fim de tarde quente e húmido, próprio do verão carioca e eu caminhava distraída entre o mar e areia. Sentia as ondas a desmaiarem nos meus pés e isso era a única coisa real. Os pensamentos corriam a mil, entre acontecimentos recentes e sentimentos antigos. O pouco que se passava à minha volta era como um segundo plano desfocado num filme antigo. Só via nitidamente as cenas que passavam pela minha cabeça. Mas tinha perfeita noção do cenário à minha volta. Um cenário sonhado durante anos e que se tinha tornado real. Às vezes ainda me pergunto como é possível a quantidade de vezes que tenho a sensação de dejá vu nesta terra… Um cenário que sempre me aquietou a alma e me tranquilizou.

E foi nesse cenário, naquele quente morrer de um dia de Janeiro, que a minha forma de ver a vida iria mudar. Só um ano depois o percebi realmente, mas foi aquele momento que mudou tudo quando a uns bons metros vi um garoto a olhar o mar, com uma intensidade que eu conseguia sentir onde estava. Parei e fiquei a olhá-lo e a sentir o que emanava dele. De repente, sem que nada o previsse, ele olhou-me nos olhos e sorriu. Retribuí sem vergonha e invadida por uma sensação de liberdade nunca experimentada, avancei até ele. O silêncio entre nós dizia muito mais do que muitas conversas que temos por aí. E assim ficámos por um tempo que não consigo, ainda hoje, medir. Quando a conversa se iniciou, parecia que nos conhecíamos desde sempre e a nossa conexão era tão gigante que parecia que falava comigo própria. Quando o dia morreu finalmente separámo-nos com a promessa de novos encontros. E nesse dia eu dormi como há muitos anos não dormia. Parecia que tinha encontrado uma parte de mim que procurava sem saber e isso deu-me paz. Durante o ano seguinte muitas foram as nossas conversas. Acabávamos sempre por nos encontrar no mesmo sítio sem nunca termos combinado um encontro. A relação estabelecida era agora inquebrável e foi ele com as suas palavras o grande porto seguro de tempos atribulados.

O primeiro encontro coincidiu temporalmente com uma experiência maravilhosa que tive. E depois dele e ao longo do ano vários acontecimentos foram clarificando uma ideia que se tinha formado nessa experiência. Conheci pessoas, li frases, ouvi músicas, recebi elogios impensáveis e tudo começou a fazer muito sentido. As minhas crenças fundiam-se agora com pensamentos e crenças diferentes e eu sentia-me cada dia mais completa. Mesmo perante as adversidades por que tenho passado, e mesmo começando a surgir em mim de forma muito visível o meu lado pessimista e obscuro, eu sinto-me mais forte. Foi então, que num espaço de segundos, olhando para aquele garoto tão igual a mim eu percebi que o podia considerar o António Carapau. Figurativamente (ou não…) o meu segundo eu… E ele que me tem ajudado a voltar à escrita. A escrita dos sentimentos que afloram e que eu reprimo. Vamos voltar às Palavras ao Vento e este cantinho vai tornar a ser um misto de histórias e estórias.

Bem haja amigo!

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: