Skip to content

palavras de outros, que podiam ser as minhas #3 e eu a dar-lhe na defesa dos professores

17/06/2013

“Sou filha de professores e, por isso, falarei por experiência própria e usarei o meu livre arbítrio para o que me apetecer dizer.

Nenhum professor é igual, nenhum usa o mesmo método de trabalho do colega. Por isso, quando dizem “mas nem todos trabalham” pode ser verdade. Uns não trabalham mesmo. Outros têm outros métodos.

Lá em casa, o meu pai é diferente da minha mãe. E, modéstia à parte, são os dois ótimos professores.

Mas uma coisa acontece em comum – ambos trabalham bem mais de 40h, 45h ou 50h semanais. Isto, sem falar em correções de exames, em preparação de aulas e em testes.

Os filhos? A família? Estão por lá. Acompanham-nos e acompanhamo-nos sempre que possível. A avó sempre fez jeito, quando éramos pequenos e não podíamos ficar sozinhos em casa quando as reuniões começavam fora do horário não letivo mas sim de escola e terminavam 21h30/22h.

Hoje, leio muita indignação não só com a greve, mas com os motivos da greve.

Enquanto estudei, apanhei uma série de greves, porque fui presenteada com a Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues que conseguiu iniciar este massacre aos professores que até hoje não acabou.

As greves nunca me fizeram mal. E não era por ir para casa ou por não ter aulas. Era pela discussão que isso trazia. Todos perguntávamos porquê, quando, e como é que se faz greve. Chegámos mesmo a conseguir fazer uma greve de estudantes do secundário e uma manifestação.

Ninguém nos levou a sério, porque éramos putos.

Tudo bem. Nós continuamos nas nossas lutas e, hoje, já não somos putos e já não somos meia dúzia. Hoje já conseguimos ser milhares nas ruas a lutar pela dignidade que tentam, ostensivamente, roubar-nos.

Chega!

Chega de uma escola pública onde quase-obrigam os professores a passar os miúdos de ano para a estatística. Chega de uma escola pública onde não há condições de trabalho nas salas. Chega de uma escola pública onde os professores, além das 35h semanais, levam com reuniões fora do horário e levam uma panóplia de trabalhos para casa que ocupam horas e horas do seu tempo, porque na escola estão sobrecarregados com turmas a mais, alunos a mais, substituições a mais, cargos a mais.

Chega de tentar acabar com a escola pública. Chega.

E antes que se perguntem, sim, conheço o mundo dos colégios privados porque estudei lá 11 anos da minha vida e muito daquilo que sei e sou, devo-o a isso.

E não, não é melhor. É diferente – tinha 33 alunos na turma, em salas onde mal cabíamos. Os professores, mal pagos, também com horários de cão. E não, ninguém morreu. Os que estavam à frente ou que eram mais inteligentes tinham boas notas. Os que necessitavam de mais apoio iam ficando para trás e, de preferência, saindo da turma e do colégio para não dar má imagem.

Hoje é dia de greve e solidarizo-me totalmente com os meus pais. E com aqueles que foram meus professores e hoje são amigos, a quem devo, efetivamente, muito daquilo que sou.

Não me venham falar de outras classes operárias que trabalham as 40h ou mais. Se não fazem nada para mudar a situação, vou supor que estão bem assim, certo?

Não me venham falar nos meninos e que estão a prejudicá-los, porque se há alguém a lutar pelo futuro deles são, mais do que os pais, os professores, que querem fazer parar esta máquina nojenta que é o governo, para que, daqui a 2/3 meses ou 3 anos, os mesmos meninos que hoje estão a ser “prejudicados” não tenham que emigrar, não tenham que dizer “não fui para a universidade porque os meus pais não tinham dinheiro para as propinas” ou “não consigo arranjar trabalho porque não tenho as competências necessárias porque a escola pública portuguesa, ao pé das outras, não nos dá as condições necessárias para aprendermos”.

Estou em total solidariedade com os professores.

É preciso enfrentar o governo até às últimas. Quer dizer, o meninos Passos diz “se não mudam a data da greve mudamos nós a lei” e está tudo bem? E faz de conta que ele não disse nada?

Acordem, meninos, acordem.

Chega desta dormência que nos afecta a todos quando em casa, mesmo não havendo pão, há alguma coisa que nos aprimore a imagem!

Chega de ficarmos todos calados e de irmos para o café das lamentações ao fim do dia.

Usem os espaço e tempo que têm e façam ouvir-se.

Os professores estão a fazê-lo e eu estou com eles!”

Mariana Sá

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: