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love letter

19/03/2011

Como sabes gosto de escrever. É uma coisa que me enche alma, me preenche. Mas escrever para ti e sobre ti é sempre uma dificuldade. Não porque não saiba o que dizer. Simplesmente não sei como dizer. Por isso o que se segue não pretende ser um êxtase literário, é apenas uma tentativa de verbalização de sentimentos intensos. Qualquer conjunto de palavras será sempre pouco para demonstrar o quanto vales na minha vida. É o que é e vale pelo que vale!

Presença constante na minha vida, és desde sempre o meu modelo de virtudes e ideais. Desde menina que olho para ti como exemplo de ser humano.  Tantas vezes pensei com os meus botões “É assim que quero ser quando crescer!”, que hoje não sei ser (ou melhor, “tentar ser”) de outra forma. És parte integrante do que sou, do que me tornei. Os teus valores moldaram e moldam ainda hoje a minha forma de estar perante a vida. A tua aprovação e orientação é essencial em cada passo que dou ao tentar encontrar o caminho da justiça e rectidão. Os teus limites e os teus erros, ajudam-me a superar os meus e a tornar-me num ser humano melhor.

Não vou fazer agradecimentos. Ambos sabemos que não fazes o que fazes para te agradecer. Ambos sabemos que o que acontece connosco não acontece porque tem de ser. Acontece porque é intrínseco à nossa relação. Por isso não vou agradecer.

Mas quero celebrar! Celebrar muito! Hoje que é “teu” dia (embora seja uma coisa discutível, isto do “dia”, devia ser todos os dias não era? E é! Só que com mais actos de afecto do que com palavras amorosas! ), podemos celebrar os chocolates com e sem amêndoas; o vinho tinto e o vinho do porto; os Xutos, o Rui Veloso e o Carlos Paião; certo humor e humoristas que me ensinaste a apreciar; o 25 de Abril que viveste tão longe, mas que descreves como se estivesses estado no meio da revolução; as manifs e os comicíos; os carrinhos de rolamentos; os amendoins e os tremoços; a cerveja alemã; os concertos; a BMW; a Maria Sardinha e o António Carapau (que dão o mote a este blog!)…

e vá… podemos celebrar também as conquistas partilhadas; as derrotas que me ensinaste a superar e a fazer delas uma bússola para o caminho da vida; as viagens que me proporcionaste, sempre preocupado com o meu conhecimento e a minha vivência “fora de portas”; as ajudas naquela língua que é o meu terror (em casa de ferreiro, espeto de pau – sempre ouvi dizer!); as histórias contadas tão entusiasticamente, que me transportavam para o cenário em que aconteciam; as horas intermináveis a fazer-me festas para adormecer; a paciência sem limites para me aturar, dia após dia, ano após ano; a força imensa transmitida, de modo que o próximo passo seja seguro e um êxito; as estórias, que ao fim de tanto de tempo já se tornaram histórias da minha vida e que continuam sem saber se são reais ou invenção dessa cabecinha fértil; o esforço, tantas vezes demonstrado, para que eu me sinta feliz; as pessoas maravilhosas que me deste a conhecer; as gargalhadas; os mimos; os ralhetes (sim, estes também são de celebrar, porque sem eles sabe-se lá onde andaria agora…); os incentivos constantes; o amor incondicional que nutrimos um pelo outro, e que embora não seja verbalizado todos os dias, está presente em todos os actos; ……

Enquanto escrevia, foi-se formando na minha cabeça uma imagem. Cada vez mais nítida à medida que as palavras passavam do pensamento para a tela em que escrevo esta “love letter”. É um fim de tarde britânico. Estamos do lado de fora das redes que envolvem “importantes pedras”. Não nos deixaram entrar porque o monumento fechou (e já sabemos que eles são o continente e nós a ilha, por isso nem vale a pena tentar…). Observamos ao longe tão imponente construção. Na altura não percebi a dimensão do que estava a ver, mas gostei da forma como aqueles gigantes cinzentos se erguiam do solo verde. Tu orientas a valiosa Pentax na direcção do aglomerado e disparas algumas vezes. Lembro-me agora com toda a clareza, como se estivesse a acontecer neste momento, de olhar para ti e te pedir: deixa-me tirar uma foto! Primeiro a relutância, depois o “então eu ajudo-te”. De joelhos para ficares à minha altura, disseste o que tinha de fazer para que no fim alguma coisa se visse. E foi assim a primeira vez que tirei uma foto. Não sei porque o meu cérebro foi buscar esta memória. Apenas aconteceu. Arrisco dizer que é uma das minhas primeiras lembranças de tua forma de educar: “não se dá o peixe, mas sim a cana para pescar!”

E a modos que é isto. Hoje é dia de papai e eu celebro-te da melhor forma que sei!

Maria I.

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